A saúde mental de crianças e adolescentes é o tema do novo episódio do Conversa Cabergs, já disponível no YouTube e no Spotify. A conversa traz reflexões atuais sobre ansiedade, depressão, impacto das telas, sono, pressão escolar e o papel da família nesse cenário cada vez mais desafiador.
Quem conduz o bate-papo é o jornalista Pedro Pereira. O convidado é o psiquiatra Dr. Bruno Raffa Ramos, que compartilha a experiência do consultório para ajudar pais e responsáveis a entenderem melhor os sinais de alerta e as transformações dessa geração.
Logo no início, o episódio traz um dado da Organização Mundial da Saúde: uma em cada sete pessoas entre 10 e 19 anos apresenta algum transtorno mental. A partir daí, a conversa avança para questões práticas do dia a dia.
Segundo o Dr. Bruno, o contexto atual é diferente do que gerações anteriores enfrentaram. "A gente percebe que é uma geração muito mais vulnerável por essas questões do mundo em que eles estão inseridos. Apesar do conforto tecnológico, existe uma ansiedade constante sobre como vão se colocar no mercado, como vai ser o futuro", explica.
Telas, dopamina e sono desregulado
Um dos pontos centrais do episódio é o impacto das telas. O uso excessivo de celular e redes sociais aparece como uma queixa frequente entre famílias.
"O adolescente é naturalmente mais impulsivo e mais propenso à busca por prazer. A formatação da rede social casa perfeitamente com isso", afirma o médico. Ele também alerta para o efeito direto no sono: "A consolidação da aprendizagem está ligada à qualidade do sono. E hoje o que mais prejudica isso é o uso de telas à noite".
O resultado pode ser queda no rendimento escolar, irritabilidade e dificuldade de concentração - sintomas que muitas vezes são confundidos com outros transtornos.
Ansiedade escolar e pressão por desempenho
O episódio também aborda o terceiro ano do Ensino Médio, vestibular e as expectativas familiares. O médico observa dois comportamentos extremos: a negação completa da responsabilidade ou a cobrança excessiva.
"São duas resoluções da mesma dificuldade. Ou o adolescente evita pensar no futuro, ou tenta corresponder a expectativas que nem sempre são dele", comenta.
Para as famílias, a orientação passa menos por discursos prontos e mais por escuta ativa. "Tem pais muito resolutivos, que dizem `vai dar tudo certo'. Isso não ajuda quem está ansioso. O importante é perguntar: qual é o teu medo?", diz.
Limites, presença e vínculo
Outro ponto forte da conversa é o papel dos pais na construção de limites. O médico defende presença ativa - sem invasão, mas sem negligência.
"O adolescente precisa saber que existe uma instância que vai pará-lo. Ele não se regula sozinho", afirma.
Ao mesmo tempo, ele lembra que não existe fórmula pronta. "Os pais têm que ser suficientemente bons, não perfeitos. Um pai perfeito não gera um filho perfeito. É nas falhas que a gente constrói maturidade."
Quando procurar ajuda?
Mudanças bruscas de comportamento, queda repentina no desempenho escolar, isolamento excessivo e irritabilidade persistente são alguns sinais que merecem atenção. Histórico familiar de transtornos mentais também aumenta o risco e exige acompanhamento mais próximo.
O recado final do episódio é direto: saúde mental é saúde. Buscar orientação profissional não é exagero, é cuidado.
O novo episódio do Conversa Cabergs já está disponível nas plataformas digitais. Uma conversa necessária para quem convive com crianças e adolescentes - e quer entender melhor esse momento da vida que é intenso, desafiador e decisivo.