O aumento do risco de infarto no inverno é amplamente documentado. Um estudo da British Medical Journal publicou que períodos de frio intenso elevam em 30% as internações por infarto agudo do miocárdio. No Brasil, dados do Ministério da Saúde (2022) apontam crescimento de internações cardiovasculares nos meses mais frios, sobretudo no Sul, região que inclui o inverno gaúcho.
Isso ocorre porque o frio provoca vasoconstrição, processo no qual os vasos sanguíneos se estreitam para conservar calor. Embora natural, essa resposta aumenta a pressão arterial e exige maior esforço cardíaco. Portanto, idosos e pessoas com hipertensão, diabetes e doenças cardíacas são mais vulneráveis. A Sociedade Brasileira de Cardiologia reforça que a combinação de temperaturas baixas com estilo de vida mais sedentário durante o inverno cria um cenário propício para eventos cardiovasculares.
Além disso, o inverno aumenta a incidência de infecções respiratórias como gripe e pneumonia, que elevam a inflamação do organismo e, nesse hiato, elevam o risco de complicações cardíacas. ¿Infecções inflamatórias são gatilhos para infarto¿, destaca um relatório da Cleveland Clinic (2021). Assim também, mudanças na rotina, como consumo maior de alimentos calóricos, uso de roupas pesadas e menor exposição ao sol, agravam fatores de risco.
Portanto, o inverno exige cuidados redobrados. Manter o corpo aquecido, evitar mudanças bruscas de temperatura, checar regularmente a pressão arterial e praticar exercícios leves são medidas essenciais. Ainda assim, pessoas com histórico cardiovascular devem reforçar acompanhamentos e aderir às orientações de seus médicos.