Endometriose: quando a dor não é normal e o diagnóstico demora

12/03/2026 às 08:30

A dor menstrual intensa não é frescura e tampouco precisa ser tolerada em silêncio. Em torno de 10% das mulheres em idade reprodutiva vivem com endometriose, condição inflamatória que pode afetar ovários, trompas, intestino, bexiga e o peritônio. Ainda assim, o diagnóstico costuma atrasar entre 7 e 10 anos em média, principalmente porque a dor é normalizada e os sintomas variam. Como resultado, a qualidade de vida cai, o cotidiano se desorganiza e a fertilidade pode ser impactada. Neste dia 13 de março, no Dia Nacional de Luta contra a Endometriose, o convite é claro: reconhecer sinais, buscar avaliação adequada e planejar o cuidado com seriedade.

Cólicas que travam a rotina, dor que exige faltas frequentes ao trabalho, analgesia em doses altas, sensação de desmaio, dor durante a relação sexual, evacuar ou urinar com dor no período menstrual e dor pélvica que persiste fora da menstruação. Esses são sinais de alerta. Ademais, sangramento intenso, fadiga marcada e inchaço abdominal recorrente pedem investigação. Em outras palavras, se você organiza a vida ao redor da dor, ela não é normal.

A endometriose afeta trabalho e estudo, relações afetivas, libido e saúde mental. Ansiedade e depressão são mais frequentes em quem convive com dor crônica, sobretudo quando há invalidação do sofrimento. Além disso, a incerteza sobre fertilidade e o medo de crises alimentam estresse constante. Reconhecer esse ciclo e oferecer cuidado integral é decisivo.

O diagnóstico da endometriose é realizado através de uma abordagem que inclui uma história clínica detalhada, na qual se mapeia a dor, sua intensidade, localização e relação com o ciclo menstrual, evacuação e micção. Adicionalmente, é feito um exame físico direcionado. Para o mapeamento da doença, utilizam-se exames de imagem como o ultrassom transvaginal com preparo intestinal (quando disponível) e a ressonância pélvica. Em situações específicas, a laparoscopia com biópsia é utilizada, pois confirma o diagnóstico e permite o tratamento das lesões.

O tratamento da endometriose é individualizado e realizado em etapas, buscando primeiramente o controle da dor e da inflamação com o uso de anti-inflamatórios e analgésicos conforme a orientação médica. Inclui também o tratamento hormonal, que pode ser feito com pílulas combinadas em esquema contínuo, progestagênios, SIU de levonorgestrel e, em casos selecionados, análogos de GnRH. A cirurgia, realizada por equipe experiente, é considerada para casos de dor refratária, endometriose profunda, comprometimento de órgãos ou falha de outras estratégias no desejo reprodutivo. O cuidado é complementado por apoio multiprofissional, que abrange fisioterapia pélvica, nutrição, psicologia, manejo do sono e atividade física regular. Por fim, o planejamento reprodutivo é uma etapa importante, com discussão franca sobre a preservação da fertilidade e a reprodução assistida, quando houver indicação. Em síntese, o objetivo é aliviar a dor, reduzir a progressão da doença, proteger a fertilidade e recuperar a qualidade de vida da paciente.

Acesse sua área logada, faça a adesão ao CONTIGO e agende acolhimento inicial. Dor que limita sua vida merece investigação e cuidado de verdade. A Cabergs está aqui para  ajudar!