Sexto episódio da série original da Cabergs encerra a temporada discutindo formas de tratamento, redes de apoio e os desafios enfrentados por pessoas com transtorno de jogo
Depois de abordar os impactos das apostas na saúde mental, nas finanças e nas relações familiares, além dos riscos para crianças e adolescentes, a série "A Conta do Jogo" chega ao sexto e último episódio. O capítulo final é dedicado aos caminhos possíveis para quem desenvolveu uma relação compulsiva com os jogos e busca interromper esse ciclo.
Apresentado pela jornalista Marcela Donini, o episódio reúne o psiquiatra Dr. Pedro Ferreira, do Hospital São Lucas da PUCRS, e o psicólogo Artur Gomes de Almeida, coordenador do CAPS Álcool e Drogas III de Gravataí. A conversa passa pelo reconhecimento da dependência, pela procura por atendimento e pelas diferentes possibilidades de tratamento, que podem envolver acompanhamento psicológico e psiquiátrico, grupos de apoio e a participação da família.
Um dos pontos discutidos é a dificuldade de identificar o problema nos estágios iniciais. Diferentemente de outras dependências, o jogo pode permanecer escondido por mais tempo e ser associado, no começo, à diversão ou até à possibilidade de ganhar dinheiro. Com a progressão do transtorno, porém, podem surgir dívidas, conflitos familiares, perda de controle e sofrimento emocional.
O episódio também mostra que muitas pessoas chegam aos serviços de saúde quando as consequências já se tornaram graves. Artur relata que, embora os CAPS Álcool e Drogas também recebam pacientes com transtorno de jogo, a procura ainda é pequena em comparação ao atendimento relacionado ao uso de álcool e outras drogas. Entre os pacientes que buscam ajuda, são frequentes histórias marcadas por endividamento, desgaste das relações e, em casos mais graves, ideação suicida.
Para os especialistas, o tratamento precisa considerar a história e as necessidades de cada paciente. No CAPS, por exemplo, o atendimento é realizado por uma equipe multiprofissional, com psicólogos, assistentes sociais, profissionais de enfermagem, médicos e psiquiatras. A partir do primeiro acolhimento, é construído um plano terapêutico individualizado.
Os grupos de apoio também aparecem como parte importante da recuperação. Durante o episódio, são citados os Jogadores Anônimos e os encontros baseados em experiências compartilhadas entre pessoas que enfrentam o mesmo problema. A identificação com outras histórias pode ajudar a diminuir o isolamento e a vergonha que muitas vezes acompanham a compulsão.
Além da participação dos especialistas, o episódio recupera relatos de pessoas em recuperação. Uma das histórias apresentadas é a de uma mulher que começou a jogar em máquinas de caça-níqueis e, em pouco tempo, passou a esconder empréstimos da família. Após o marido descobrir as dívidas, ela procurou atendimento psicológico e os Jogadores Anônimos. Vinte anos depois, continua frequentando o grupo e compartilhando sua experiência com outras pessoas.
Os seis episódios estão disponíveis no canal da Cabergs no YouTube e no Spotify.