O terceiro episódio da série A Conta do Jogo já está disponível e aprofunda uma questão central para entender o crescimento das apostas online: por que é tão difícil parar de jogar?
Com o tema voltado aos mecanismos por trás das plataformas digitais, o episódio mostra como elementos de design, tecnologia e comportamento se combinam para tornar as apostas cada vez mais acessíveis e envolventes. Cores, sons, estímulos constantes, sensação de urgência, facilidade para depositar dinheiro e apostas disponíveis 24 horas por dia fazem parte dessa nova dinâmica.
Para discutir o assunto, o episódio recebe Felipe Campelo, professor da graduação e da pós-graduação da Unisinos e especialista em experiência de consumo e estratégias de negócio, e Fabiano Ciochetta, psicólogo que estuda o perfil e as motivações de pessoas que realizam apostas online.
Ao longo da conversa, os especialistas explicam que não existe um único perfil de pessoa que desenvolve problemas com apostas. Questões como impulsividade, ansiedade, sintomas depressivos, busca por excitação e até a expectativa de obter uma renda extra podem estar relacionadas à entrada e à permanência nesse ambiente.
O episódio também aborda recursos usados pelas plataformas para prolongar a experiência do usuário. Entre eles estão as chamadas "perdas disfarçadas de ganhos", quando o jogo comemora uma recompensa mesmo que ela seja inferior ao valor apostado, e os "quase ganhos", que criam a sensação de que a vitória está próxima e podem estimular uma nova tentativa.
Outro ponto discutido é a facilidade de acesso. Diferentemente dos jogos presenciais, as apostas digitais podem ser feitas a qualquer momento e em praticamente qualquer lugar, diretamente pelo celular. Quanto menor o intervalo entre a aposta e o resultado, maior pode ser o estímulo à repetição do comportamento.
Além dos especialistas, o episódio traz relatos de pessoas que vivenciaram a dependência do jogo e mostram como o problema pode afetar relações familiares, rotina, saúde mental e vida financeira. Um dos depoimentos resume a perda de controle: "Eu não me controlo. Eu sou impotente perante o jogo."
A participação da família também aparece como parte importante do processo de cuidado. Segundo Fabiano Ciochetta, a dependência não afeta apenas quem joga, mas pode mobilizar todo o núcleo familiar, tornando informação, apoio e acompanhamento profissional fundamentais no tratamento.
No encerramento, o episódio apresenta caminhos de apoio para quem percebe que o jogo deixou de ser entretenimento e passou a causar sofrimento ou prejuízos. Entre as alternativas citadas estão os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), grupos de Jogadores Anônimos e mecanismos de autoexclusão das plataformas de apostas. Beneficiários da Cabergs Saúde também podem consultar a rede credenciada e buscar acompanhamento profissional.
A Conta do Jogo é uma série original da Cabergs, produzida pela Padrinho Conteúdo, que aborda os impactos das apostas na saúde, nas relações familiares e na sociedade.
Assista ao terceiro episódio e acompanhe a série no YouTube ou no Spotify.