Conversa Cabergs aborda perimenopausa e a importância do cuidado integral com a saúde da mulher

16/06/2026

O novo episódio do Conversa Cabergs trouxe um tema essencial para a saúde da mulher: a perimenopausa, fase de transição que antecede a menopausa e que ainda é cercada por dúvidas, desinformação e, muitas vezes, falta de acolhimento. Para falar sobre o assunto, a jornalista Marcela Donini recebeu as ginecologistas Clarissa Borba, médica credenciada da Cabergs Saúde, e Ana Maria Passos, médica e criadora do perfil @partiudos40, espaço dedicado à informação sobre saúde feminina a partir dos 40 anos.

Durante a conversa, as convidadas explicaram que a perimenopausa pode começar anos antes da última menstruação e provocar sintomas físicos, emocionais e cognitivos. Segundo Clarissa Borba, esse é um período em que "gradativamente, os ovários vão produzindo menos hormônios" e a mulher pode começar a sentir fogachos, ressecamento vaginal, alterações na libido, dores articulares, mudanças na pele e a chamada névoa mental. A médica também chamou atenção para a necessidade de ampliar o olhar sobre essa etapa da vida, que não deve ser tratada apenas como uma questão reprodutiva.

Ana Maria Passos destacou que uma das principais dificuldades está no diagnóstico, já que muitas mulheres ainda menstruam regularmente e não associam os sintomas à transição hormonal. "A perimenopausa é essa fase em que a mulher ainda menstrua. Ela começa muito cedo, por volta dos 40 anos, e muitas vezes esse diagnóstico não sai", explicou. Entre as queixas mais frequentes, a ginecologista citou cansaço extremo, falta de energia, insônia, irritabilidade, ansiedade e a sensação de não se reconhecer. "Eu escuto muito: eu não me reconheço. Eu não sou mais aquela mulher que eu era", relatou.

As especialistas também falaram sobre a importância do diagnóstico clínico. De acordo com Ana Maria, os exames hormonais podem permanecer normais durante boa parte da perimenopausa, o que torna fundamental considerar a faixa etária e os sintomas apresentados. "Se você esperar os exames alterarem, talvez você já esteja sofrendo há oito ou dez anos com isso", afirmou. Para ela, reconhecer essa fase é um passo importante para evitar diagnósticos equivocados e melhorar a qualidade de vida.

Outro ponto abordado foi o impacto da perimenopausa na saúde a longo prazo. As médicas explicaram que a oscilação hormonal pode influenciar o metabolismo, o ganho de peso, o colesterol, a glicose e o risco cardiovascular. Ana Maria comparou esse cuidado a uma preparação para o futuro: "Tem que pensar numa previdência de saúde também. É a hora de pensar nisso".

O episódio também tratou do impacto da perimenopausa no trabalho, nas relações familiares, na vida sexual e no bem-estar emocional. Clarissa lembrou que a informação precisa circular também nos ambientes profissionais, especialmente porque muitas mulheres atravessam essa fase em um momento de alta produtividade na carreira. Para ela, reconhecer os sintomas e estimular ações de cuidado dentro das empresas pode fazer diferença na rotina das mulheres. "A gente se identificando que está passando por essa fase vai conseguir melhorar a qualidade de vida", disse.

Sobre tratamento, as convidadas explicaram que não existe uma solução única. O cuidado pode envolver mudanças no estilo de vida, prática de atividade física, alimentação equilibrada, acompanhamento médico, correção de deficiências nutricionais e, quando indicado, terapia hormonal. "O tratamento da perimenopausa é um combo. Tem que partir da ideia de um estilo de vida saudável", explicou Ana Maria. Ela também destacou que a reposição hormonal, quando bem indicada e individualizada, pode contribuir para a qualidade de vida e para a manutenção da saúde.

As médicas ainda alertaram para o risco de sintomas hormonais serem confundidos com transtornos de ansiedade ou depressão, sem que a perimenopausa seja considerada no diagnóstico. Ana Maria compartilhou sua própria experiência ao relatar que seus primeiros sintomas foram ataques de pânico e ansiedade intensa. Segundo ela, o problema não é tratar ansiedade ou depressão quando necessário, mas deixar de investigar outras causas possíveis. "O problema é o diagnóstico equivocado e ao menos não considerar isso", afirmou.

Ao longo do episódio, Clarissa e Ana Maria defenderam um atendimento mais acolhedor, individualizado e multidisciplinar, envolvendo ginecologia, nutrição, saúde mental e atividade física, conforme a necessidade de cada mulher. Para as especialistas, ser ouvida e ter seus sintomas validados já representa uma mudança importante no cuidado. "O pior que estar na perimenopausa é você não saber e não acreditar em si", disse Ana Maria.

O episódio completo do Conversa Cabergs está disponível no YouTube e Spotify.

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